Uma das variedades mais conhecidas do mundo, a Cabernet Sauvignon é chamada de “rainha das uvas”. O que pouca gente sabe é que ela é resultado do cruzamento de duas castas diferentes, a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc. Não é o único exemplo: outras uvas nasceram da mistura genética de duas variedades. Algumas são resultado de cruzamento espontâneo, ocorrido na natureza, como a Torrontés, símbolo da enologia argentina. Outras foram desenvolvidas em laboratório, como a Pinotage, ícone da África do Sul, e a Symphony, criada em 1948 na Universidade de Davis, na Califórnia.
— O vinho sempre nos reserva belas histórias. E uma das de que mais gosto é a da Torrontés, que nasceu da mistura espontânea entre a Criolla Chica, nativa da Argentina, e a Muscat de Alexandria, levada para o país pelos colonizadores europeus. É um acontecimento raro — conta Hervé Birnie-Scott, enólogo da bodega Terrazas de los Andes, do grupo LVMH, em Mendoza.
Com essa bagagem histórica aliada a aromas intensos, com notas florais agradáveis, a Torrontés é uma espécie de Malbec branca e dá origem a vinhos com boa relação custo-benefício, como o da Colomé (R$ 41,70, na Decanter, www.decanter.com.br) e o Lo Tengo, da Norton (R$ 29, na Winebrands, www.lojawine brands.com.br).
No último século, o mundo viu também o surgimento de variedades nos tubos de ensaio de universidades e centros de pesquisa. Fazem parte do grupo uvas pouco conhecidas, como a Rebbo, cruzamento de Merlot com Teroldego, cultivada pelo viticultor Vilmar Bettú, que faz vinhos artesanais em Garibaldi (RS). Entre as mais famosas está a Pinotage, nascida em 1925 a partir do casamento entre a Pinot Noir e a Cinsault.
Por ter sido criada na África do Sul, a Pinotage acabou se convertendo na casta mais famosa do país — por lá, é difícil encontrar um produtor que não tenha pelo menos um rótulo produzido com ela, que também dá origem a vinhos rosados, como o Kadette, da Kanonkop (US$ 26,90 na Mistral). Entre os bons exemplares com preços atraentes disponíveis no mercado brasileiro podemos citar o Fleur du Cap (R$ 46,80, da Casa Flora, www.casaflo ra.com.br) e o Danie de Wet Pinotage Bio, De Wetshof (US$ 21,90, na Mistral, www.mistral.com.br).
Outra casta conhecida resultante da mistura de duas uvas diferentes é a Alicante Bouschet, criada na França no final do século XIX. É o cruzamento da Grenache com a Petit Bouschet (que, por sua vez, teria sido originada a partir do encontro da Teinturier du Cher com a Aramon). Geralmente é utilizada em cortes com outras uvas, como o gostoso Monte da Cal (R$ 34, na Winebrands), que tem ainda a uva Aragonês. Por aqui ela também vem começando a se destacar, como na produção do Vinha Maria Reserva, elaborado no Nordeste, misturada com a Cabernet Sauvignon (R$ 34,80, na Winbrands) — o melhor rótulo de que se tem notícia







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