Nada melhor que uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, de que você gosta não tem coisa melhor Pois bem, neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal, seja formalmente. Seja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantas palavras, vinhos e conceitos diversos.
objetivo primeiro da criação deste blog é exatamente este, ajudar a servir de guia neste mundo.
É o famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade., Riesling alemães de mais de 20 anos de garrafa viram tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
Por fim só gosta de vinhos caros. Já disse que o vinho ao lado da gastronomia e da música são as bandeiras da cultura de um lugar. E, certo, ali não se bebe somente vinhos caros todo o dia. Portanto, pensar assim e pensar errado e, pior, induzir ao erro os iniciantes.
Vamos ajudar o vinho a desmistificá-lo e não a tratá-lo como algo inacessível, com gostos e cheiros que um mortal comum não conhece.
Por fim experiência é o nome que damos aos nossos erros e não fazer algo errado durante vários anos.






Adorei o blog, assim vou poder compartinhar com vcs o meu convívio com um enochato que tenho em minha família.Parabéns!!!!!
ResponderExcluirquerida Solange, parabéns pelo blog! Muito boa. Nossas mentes ficarão mais desarrolhadas e passarão a compartilhar contigo todo o requinte e beleza do enigmático mundo do vinho — tão saboroso quanto complexo. Brindemos!
ResponderExcluirLinda Solange Aquele ´´homem do vinho´´ da rede tv é um legitimo enochato
ResponderExcluirQuerida Solange enochatos e enobobos são a categoria de bebedores mais ridiculas que ja surgiu no mundo etilico ultimamente ouvir pérolas como :”Percebo frutas vermelhas maduras dos bosques da Bavária com um toque de grafite e pêlo de husky siberiano” é de dar xulé em pé de mesa Não troco vinho nenhum por um bom : JOHNNY WALKER BLACK LABEL com gelo e um pouco de agua mineral…..um MOJITO feito na hora com bastante hortelã e BACARDI ou uma boa cerveja BRAHMA estúpidamente gelada [ mesmo que alguns digam que não ?] num copo limpinho e bem transparente… Enochatos e enobobos por favor : Menos ……..bem menos !!!
ResponderExcluirabraço
Querida Solange, bem que eu queria ser uma enochata. Mas, infelizmente, não tenho tanto conhecimento para isso. Adoro vinho tinto secoe, talvez por falar sempre de vinho, amigos e familiares me pedem orientações, dicas etc. Procuro me conter, mas que dá uma vontade danada de contar a história da uva carmenere, no almoço de domingo em família, ah! isso dá….rsrs
ResponderExcluirEu sou uma enochatinha. Vários dos meus amigos também o são.Meu marido é também. E eu adoooooro
ResponderExcluirQuerida Solange Parabéns pelo blog! Sou um enochato assumido, mas intimidado pelas ‘forças contrárias’ a quem curte um vinho e procura aprender um pouco mais a cada gole. E claro neste blog maravilhos adoro a forma como você escreve e fala de vinhos se um dia eu tiver o prazer de encontra –la ficarei ipenotizado com sua beleza talves deixarei de ser um enochato beijos
ResponderExcluirQuerida Solange Parabéns, sucesso e salve os enochatos e seus 15 segundos de fama!Abração
ResponderExcluirMais uma linda postagem (pra variar). Esta é a beleza do vinho. Por isso eu fico além de chateado quando noto a tendencia à homogenização dos vinhos no mundo, isso graças aos famosos críticos. E muito perplexo com pessoas que não conseguem apreciar um vinho diferente daquele que estão acostumados a tomar…
ResponderExcluirVocê conseguiu colocar aqui por escrito a verdadeira alma do enófilo.
Grande abraço,!
querida Solange Parabéns por mais um post escrito lindamente! Que pena que não temos todos dias
ResponderExcluirBeijos
Alberto
Querido Alberto, obrigado. As vezes demoro a postar algo mas gosto de fazê-lo com o coração. Um beijo Solange
ResponderExcluirMuito interessandte o ângulo pelo qual se examinou a figura do enochato. Ele evidentemente é um apaixonado e um chato como todo apaixonado que só consegue ver a sua frente o objeto de sua paixão.Destarte, um brinde aos apaixonados e salve os enochatos
ResponderExcluirLindo texto.
ResponderExcluirOi Solange! Sabe além de todo o ritual do vinho que conhecemos, ou melhor, que vc já conhece e que estou aprendendo a conhecer, tem este lado sútil, delicado, prazeroso, cheio de emoções, prazeres, sensações e principalmente recordações!!! Parabéns pelo post e principalmente pela história não quero ser um enochato !!! bjo
ResponderExcluirobrigada Junior Pois é, o legal é aprender a desvendar todos os aromas e um dia se deixar perder em uma taça sem conseguir entendê-los. A ideia é ser livre para sentir. bjaõ
ResponderExcluirAté que enfim!!! querida solange Faltava isto no site adorei! iniciei um curso básico e estou em busca de conhecimentos e de boas dicas. parabéns
ResponderExcluirOi querida Solange pela postagem não quero ser um enochato !!! bjo
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