sábado, 24 de setembro de 2011

QUAL SERA A DIFERENÇA DO CHILE E ARGENTINA NO MUNDO DO VINHO ?

Na verdade são muitas as diferenças.Começando pela geografia. No Chile há as mais variadas regiões vinícolas, desde o vale del Limari no extremo norte, perto de Atacama até o extremo sul em Bio Bio, patagônia chilena. Normalmente são regiões de baixa altitude, altura média de 400 metros. Há vinhedos perto do mar, caso de Casablanca, Leyda e San Fernando onde as castas brancas se desenvolvem muito bem. Como há o vale central, Conchagua, Rapel e Curicó onde as tintas encontram seu território ideal.

A tão desejada diferença de temperatura entre o dia e a noite vem dos ventos marítimos, caso das regiões produtoras de brancos e Pinot Noir, Casablanca, Leyda, San Fernando e, modernamente, Bio Bio e a costa do vale del Maule. Já no caso das tintas o vento gélado l que desce dos Andes e fica represado entre as duas cordilheiras, Andes e Costeira.

A Argentina, não tem vinhedos marítimos bem como não possuem vale entre cordilheiras, sendo assim, a maioria dos vinhedos são de altura. Em Mendonza, principal região produtora, funciona como um grande anfiteatro onde a altura é fator diferencial em qualidade e condições de micro região para as castas. A maioria dos vinhedos estão plantados numa altura média de 800 metros, excluindo Salta, mais ao norte com seu vale del Calchaqui com altura média de 1.500 metros. Tal fato se faz necessário para haver a diferença de temperatura entre o dia e a noite.

Tal diferença geográfica, por si só, de modo geral, indica que o Chile está muito mais propício a produzir brancos de qualidade, pelos seus vinhedos marítimos do que a Argentina. É de se lembrar que a única região argentina que produz, na média, brancos e espumantes de qualidade é a patagônia, vinhedo de planície, à sudeste, quase no nível do mar, mas aproveitando o vento frio que sopra do sul.

Em termos sanitários os vinhedos chilenos pela condição climática do país quase não possuem fungos e pragas que assolam a Argentina, portanto muito menos corretivos químicos são usados nos parreirais. Inclusive a tão propalada ausência da Filoxera que dizem não ter chegado aquele país, mas para mim chegou, pois o Chile não está isolado economica e geograficamente, as mesmas mudas que chegaram na vizinha Argentina com o terrível inseto, também chegaram no Chile, mas por uma ou outra razão ele não se instalou nas videiras.

Já do lado argentino dos Andes as condições de pragas, ventos, granizos e geadas são bem outras. Os verões são quentes e úmidos e é a época mais chuvosa do ano, propício, então para as pragas que podem assolar os vinhedos, sendo, então, utilizados mais corretivos químicos.

É muito comum nos Andes argentinos, onde estão os vinhedos a geada fora de hora e a temida chuva de granizo, no verão, que pode destruir em minutos um parreiral inteiro.

Mas talvez a principal praga seja a formiga preta que destrói tudo o que vê pela frente, inclusive gerou o nome de um conhecido vinho, o Alto de las Hormigas.

A fora os três ventos que compõem a característica de Mendonza. O vento Zonda, na primavera, que vem do oeste e ao cruzar os Andes vindo do pacífico perde umidade e aumenta de velocidade e temperatura causando prejuízos as plantações. O vento polar que vem do sul no outono sendo gelado e seco. E o sudestada que começa no verão trazendo umidade e refrescando os vinhedos a noite.

E, por fim, o governo, no Chile ajudou e muito a produção, melhoria de qualidade e exportação de vinhos, desde o final da década de 80. Já na Argentina os desmandos do governo, sua interferência quase nefasta atrasou e muito a renovação e produção de vinhos de qualidade.

Estas são algumas características e diferenças que consigo lembrar.
ficar com Astor Piazzola e Yo Yo Ma.bom final de semana para todos



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