domingo, 5 de setembro de 2010

COMO ERRAR MENOS AO COMPRAR VINHOS DE PORTUGAL


Porque errar todos nós erramos ao comprar vinhos de regiões que não conhecemos. O ideal é errar menos.
Quando escrevo um post não sei quem serão os leitores. Sendo assim procuro ser o mais abrangente possível. Talvez o que está aqui escrito, para uns nada acrescente, mas para outros pode servir de um início de roteiro para os vinhos portugueses. O contra rótulo dos vinhos portugueses indicam a região de onde vem o vinho e a pesar de ser, comparado ao Brasil um país pequeno, cada região produz vinhos muito diferentes.
Do norte de Portugal.
VINHO VERDE: Região que tem este nome não porque as uvas são colhidas imaturas, mas porque é a região onde o verde dura o ano inteiro, devido ao clima chuvoso. Ali, para errar menos é falar de vinho verde branco onde, necessariamente, os melhores exemplares são feitos da trinca de ouro, Alvarinho, Loureiro e Trajadura, os vinhos mais baratos não chegam nem perto da qualidade destas três, portanto lembrem-se destas três.
DOURO: São feitos com as castas tradicionais do vinho do Porto. Para os tinto: Tinta Roriz (tempranillo), Tinto Cão, Touringa Nacional, Touringa Francesa e Tinta Barroca. Para os brancos: Codega, Gouveio, Malvasia Fina, Malvasia Rei e Rabigato. Mais de 90% da produção é para os vinhos fortificados. Nos últimos tempos há vinhos não fortificados desta região. Os que gosto mais são os tintos, destes os mais baratos e de qualidade se apresentam como vinhos leves e frutados para serem bebidos o mais cedo possível. Os mais caros, em geral vendidos em lojas especializadas são excelentes; refinados, complexos e marcantes, como o Cedro do Noval.
DÃO: Região que vem sofrendo mudanças drásticas. A renovação de videiras, plantio e tecnologia vem colocando os vinhos desta região nos patamares mundiais de qualidade. Esqueçam as bombas que eram vendidas nas décadas de 80 e 90. Os melhores exemplares, para mim, são comparados aos bons Pinot Noir da Borgonha, Chile e Nova Zelândia. São produzidos, para os tintos: Touringa Nacional, de longe a mais importante, Jean, também chamada na Espanha de Mencia, Alfrocheiro (minha preferida) e Aragonez (tempranillo). Para os brancos: Encruzado, a mais nobre das brancas, produz um vinho que não deixa saudade aos bons franceses, Bical, também excelente. Importante lembrar que nesta região entre o Dão e o Douro está Varosa o epicentro dos empumantes portugueses.

BAIRRADA: Mais ao sul e ao litoral. Também era, até pouco tempo atrás uma região que produzia vinhos duros para consumo local com o famoso leitão da bairrada. Modernos ventos revigoraram a região e, hoje, há bons produtores, Campolargo, Luis Pato entre outros. Ali reina absoluta a casta local, Baga, manhosa, de fortes taninos, produz um vinho ao estilo ame-o ou deixe-o. Eu aprecio muito esta casta, lembra um pouco os melhores exemplares da Tannat do Uruguai. Também estão presentes castas tintas que gostam de frio (ventos que vêm do atlântico) como a Pinot Noir e a Merlot.
Região central.
ESTREMADURA: Região metropolitana de Lisboa, produz vinhos de qualidade média, claro que há exemplares ímpares, como o Quinta da Bacalhoa, (Cabernet Sauvignon) mas em geral são feitos, majoritariamente, da casta Castelão (Periquita) este mesmo que é encontrado aos lotes nos supermercados. Esta casta produz um vinho duro, certa acidez marcante que possui uma legião de admiradores. Os mais baratos não são vinhos de deixar saudade. Os brancos também seguem o mesmo ritmo.
RIBATEJO/TEJO: Os vinhos desta região passaram, desde abril de 2009 a chamarem-se vinhos do Tejo. OS vinhos ali produzidos não fogem muito à regra da Estremadura, são vinhos, na média bons sem entusiasmar, soma-se apenas que aqui usam muito a Trincadeira. Mas cuidado são vinhos portugueses, com certeza, aí são ao estilo da região, duros e um tanto ácidos.
No sudoeste o Alentejo.
ALENTEJO: Desta região quente e seca no verão com invernos não muito agressivos vem os vinhos mais ao estilo novo mundo, algo mais parecido com os argentinos e chilenos, muita concentração de fruta, vinhos muito maduros e portanto concentrados e mais açúcar do fruto. A casta nativa que compõem quase todos os vinhos da região é a Aragonez (tempranillo) e, hoje trabalham muito bem com a Syrah e a Cabernet Sauvignon. Uma dica para os que querem iniciar a comprar vinhos portugueses é começar pelo Alentejo.

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