segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O vinho é a expressão da fruta

Esta semana recebi um e mail. De uma leitora no qual perguntava se "existe uma modificação no sabor do vinho se ele for orgânico ou não". A pergunta é pertinente e complexa. O vinho é a expressão da fruta. Uma uva sã é o objetivo de todo bom viticultor. A agricultura tradicional tem cedido lugar à condução racional que é um avanço em relação à legislação, mostra uma preocupação com o meio ambiente, com a prevenção e com os excessos de produtos químicos. Muitos suspenderam o uso de fertilizantes químicos. Podemos dizer que é um compromisso do agricultor com a natureza. A agricultura orgânica não aceita o uso de defensivos e adubos químicos e procura atuar em harmonia com o meio ambiente. O processo de conversão para a agricultura orgânica, chamada de agricultura biológica (AB) na França, exige três anos de "desintoxicação". A biodinâmica busca ir além da harmonia, tenta estimular a vida no vinhedo. Uma linda proposta, coerente nas suas ambições, mas sem validade científica. O que em nada a desmerece.

Entre a uva e o vinho há uma boa distância. Um vinho orgânico não é necessariamente melhor do que o do produtor vizinho que trabalha de forma racional ou mesmo convencional. Tenho certeza de que quem se preocupa mais com sua videira e com o meio ambiente tende a fazer uma melhor uva, e assim tem condições de fazer um melhor vinho. O viticultor apaixonado, dedicado e perfeccionista faz um vinho muito bom. Quando a uva é boa quanto menos interferência na vinificação melhor.
Se existe uma modificação no sabor do vinho vai depender se a uva, de fato, melhorou. Na boca não vejo diferença entre AB e racional. Em geral, quem se preocupa com o meio ambiente se preocupa com a uva e com a qualidade do vinho que faz

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