
. Minha paixão declarada pela boa mesa costuma fazer as pessoas imaginarem que sou um sucesso na cozinha. Nada mais equivocado. Na verdade, já fui do tipo que submete a família e os amigos a experiências culinárias pra lá de traumáticas: lasanha com molho ácido demais, a massa se desfazendo e as bordas queimadas; kibe de forno cru; pastel de forno oleoso ou ressecado; sopa insossa e empelotada; e daí por diante. Some-se a isso o fato de que minha mãe e minhas avós não sabiam cozinhar; pai e avôs, muito menos. Assim, devo minhas conquistas nessa área à internet, a programas de TV e, maria que esta comigo a muito anos ela faz receitas maravilhosa em minha casa ela me deixa a vondade na cozinha principalmente, às muitas panelas que queimei e às comidas intragáveis que, depois de muita dedicação, fui obrigada a jogar fora.
O meu grande barato, na verdade, é, e sempre foi, comer! Como fica difícil ir a bons restaurantes todo dia, terminei aprendendo a me virar no fogão. Sem dúvida, um dos maiores incentivos que tive foi o espaço especial que os doces sempre ocuparam no meu paladar. Como costumo dizer, minhas aventuras na cozinha começaram para “sustentar o vício”. No início, um acanhado brigadeiro de colher; mais tarde, torta de limão, cheesecakes, pavês. Os pratos salgados vieram depois, como conseqüência natural do aumento da intimidade com as panelas. Hoje me considero uma “curiosa de mão cheia”, isto é, capaz de fazer alguns pratos interessantes com bastante sucesso e sempre em busca de novidades, mas longe de ter um talento natural para a coisa.
Liberdade
De todo modo, aos poucos, minhas incursões na cozinha foram se tornando bem-sucedidas, o que me permitiu satisfazer alguns desejos antigos: faço torta de limão com recheio duplo e um pouco de leite desnatado para amenizar a doçura do leite condensado; capricho no queijo gorgonzola quando asso um quiche; uso um pouco de cacau em pó misturado ao chocolate nos pavês, para dar aquele amargor tão delicioso e difícil de encontrar em restaurantes e docerias. Estar no controle das panelas me deu liberdade para transformar receitas e adaptá-las ao meu gosto.
Depois que me senti mais à vontade na cozinha, comer em casa passou a ser muitas vezes uma escolha. Afinal, não há nada como uma refeição entre amigos em casa, sem falar num jantar a dois. Com uma trilha sonora sob medida para a ocasião, talheres contados e um bom vinho (que não custa o dobro do valor cobrado nas lojas!), são experiências memoráveis. Aproveito essas ocasiões para propor refeições temáticas, como já cheguei a comentar por aqui: noite italiana, jantar francês e o que mais a imaginação criar. Vez ou outra, partimos para um filminho, ainda com a taça na mão, ou simplesmente aproveitamos o momento. Seja qual for o “roteiro” da noite, a diversão é garantida!







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