sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A roupa do vinho vai à mesa






O brasão de Châteauneuf-du-Pape valoriza a garrafa
Hoje vamos falar da roupa do vinho, como se diz por aqui rotulos", o que veste o vinho. É bem precisa a expressão, pois ela vai muito além da etiqueta, envolve cor, forma, embalagem, tamanho, enfim tudo que veste o líquido vinho e como isto influi na decisão do consumidor na hora da compra e é assunto de conversa à mesa.
Em supermercado, na França, 80% das vendas são determinadas pelas garrafas, suas formas, cores, formatos, designs, antes mesmo de o cliente olhar a etiqueta. A garrafa, simplesmente a garrafa, já determina na mente do cliente uma percepção do produto. Uma garrafa borguinhona, bordalesa ou de champanha é uma referência imediata para o consumidor, sua forma o induz a perceber naquele produto um determinado padrão de qualidade. No entanto, estas garrafas ganharam mundo e tornaram-se genéricas, recebendo vinhos tão diversos, que passaram a ser um problema para o consumidor reconhecê-las enquanto roupas identificadoras para vinhos de Bordeaux, Borgonha ou Champagne. Para diferenciarem-se algumas denominações de origem gravam seus brasões na garrafa, caso de Châteauneuf-du-Pape, isto valoriza o produto e ajuda-o a posicionar-se como de qualidade superior.

No momento em que o produtor escolhe um formato de garrafa ele tem de levar em consideração a origem do vinho, a qualidade do vinho, mas também a questões operacionais e industriais. Poucas vezes analisa o aspecto marketing do vinho. Afinal, se o vinho é de qualidade inferior não se justifica investir em uma garrafa original, alta ou mais pesada, pois o custo não vai se adequar ao vinho. Uma regra básica na escolha do vinho é verificar se o produtor investiu na garrafa. Não é uma garantia de sucesso, mas é uma boa pista para escolher um bom vinho.

Um dos poucos produtos a ir à mesa do jeito que é comprado é o vinho. Normalmente é servido a partir da própria garrafa, mesmo quando o vinho é decantado a garrafa é colocada ao lado do decanter. A etiqueta traz várias informações importantes, obrigatórias e outras que vão ajudar o consumidor a tomar sua decisão. Afinal, na maior parte das vezes, o vinho tem de se vender sozinho. A “tem que dizer qual vinho ela está vendendo, valorizá-lo, contar uma história convincente e verossímil para o consumidor. Segundo algumas recentes pesquisas na Europa, a percepção que o consumidor tem do vinho francês - elegância, qualidade, classe, sofisticação- exige que sua etiqueta seja "classuda" e muitas vezes tradicional. Os casos de sucesso de etiquetas modernas é em geral focado num público jovem ou num produto de qualidade mediana. Quando se busca qualidade é necessário uma etiqueta que ofereça a mesma percepção. Repito: - “Para o vinho francês é isto o que o público espera". Os vinhos do Novo Mundo podem permitir-se ousadias e estilos inovadores, eles não tem, na mente do consumidor, os mesmos valores. Falo de percepção do consumidor, nada impede que vinhos como o Fat Bastard, francês, tenha grande aceitação no mercado inglês. Lembro que são vinhos de castas, regionais, de preço competitivo cujo foco não é o cliente top, mas um público jovem e descontraído.

Alguns produtores devido a sua grande notoriedade e reputação ousaram vestir seus vinhos de forma diferente. Posicionado no topo a Champagne Taittinger, no Brasil importada pela Expand, tem na sua Taittinger Collection uma série onde grandes artistas vestem toda a garrafa, desde a cápsula até a sua base. Taittinger quis mostrar que seus espumantes eram verdadeiras obras de arte e que mereciam uma assinatura que os valorizasse como tal. André Masson, Matta, Hans Hartung, Maria Elena Vieira da Silva e alguns outros craques já vestiram a Taittinger.
Eu sei apenas despi-la.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe Seu Comentário é de bom interesse para o meu Crescimento! Obrigado!